A hora e a vez
olha as horas,
olha as rosas,
olha os olhos,
olha os modos...
só ela que não me olha.
Eu não me queixo,
deixo:
os olhos são dela!
Debruço-me à janela,
olho o tempo,
contemplo,
principalmente penso:
penso nela,
numa frase infeliz,
um caminho a seguir,
um livro pra ler.
Sem saída,
acabo por querer
a minha vida assim,
exatamente assim,
sem tirar nem pôr,
e saio da janela.
Já não sei mais quem é ela,
aliás, eu nunca soube,
mudo de frase e de jeito,
nenhum livro se abre;
o caminho já se sabe,
nenhuma porta será aberta.
Mas de uma coisa, fique certa:
chegou a hora e a vez do poeta.
José Edward Guedes

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