Cordel de mineiro
- Com esse solão ... eu não!
- Tem arvoredo por perto.
- Nisso você está certo.
- Canta pra mim, passarin!
Eu tô assim tão tristin,
ando carente de amor,
canta pra mim, faz 'avor.
- Tô com gogó machucado,
sinto-me só, bandonado,
o meu cantar soa triste -
mal de amor ninguém resiste! -,
e tamém me pesa a idade.
- Mas você tem liberdade,
quero ver ocê voar,
seu voar vai me alegrar.
Vem aqui, na minha mão,
vou lhe dar muita ração.
- Isso é cordel de mineiro,
tem um repente treteiro,
cê tá de mim a zombar ...
Sou passarinho e tal,
sei cumé o bicho hômi:
bota fogo, depois somi,
não tem dó dos animal,
só estraga os matagal,
deixa o rio fedorento,
té parece um cão sarnento,
sua alma vai é mal,
nosso bom Deus bem o sabe,
você tá de malandrage.
Mineiro, ocê não me enrola,
cê quer me ver na gaiola.
José Edward Guedes.

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